Números realmente importam?

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Quem aqui já teve medo de uma simples balança? Em qualquer roda de conversa pode ter certeza que todas mulheres responderão com um sonoro sim. E você acredita que os números realmente importam?
O que tanto o seu peso diz sobre você? Exatamente isso, absolutamente nada.
Toda mulher tem medo de engordar? Pode até ser que a resposta seja sim, ou que a grande maioria pense dessa maneira, mas não deveria.
Confesso que eu já passei por várias fases na minha vida, na adolescência já fui magra, muito magra, era feliz e nem me importava com números na balança.
Ao longo dos anos fui engordando, aos 20 e poucos anos já era bem gorda mas não me importava muito com isso também.
Claro que tive meus altos e baixos, que fui oprimida, que já sai chateada de muitas lojas, que já ouvi coisas horríveis de pessoas que eu amo, claro que sim, aos montes, principalmente por ter sido magra um dia, ouvi que parei de me cuidar, que “relaxei”, mas quem disse que isso é verdade?
Houve uma época que eu me importava com o que diziam ao meu respeito, acredito que era uma fase da vida, coisas da idade mesmo.
Já fiz muita dieta da moda, tratamento estético, vários tipos de exercícios, tomei remédio tarja preta, tomei shakes sem nutrientes pra substituir uma refeição, fiz dieta da sopa, da lua, da USP, da pqp, fiz exatamente tudo que precisava pra emagrecer. Sim, em algumas vezes emagreci, subia na balança diariamente comemorando cada grama perdida, mas sentia também um vazio por dentro (não era só fome rs), era tristeza, era uma escravidão, era um sentimento horroroso de contar calorias, de não pode isso não poder aquilo, de eu tenho que me encaixar num padrão estético aceito pela sociedade, era péssimo.
Confesso que isso durou muitos anos, fui e voltei, emagreci e engordei, sorri e chorei, não necessariamente nessa ordem rs
Mas olha, no momento que olhei no espelho e vi uma pessoa linda, que se ama e que poderia se aceitar assim, me inovei, apenas joguei fora todas minhas frustrações, minhas dependências, minhas tristezas.
Primeiramente tirei a pilha da balança, me rodiei de pessoas que não me colocam pra baixo, lutei pelo direito de ser quem eu sou, fiz o blog e Instagram, passei a mostrar pra outras pessoas que não sou escrava da mídia, da sociedade e de uma balança.
Sabe quem ganhou com isso? Todo mundo, sou uma pessoa feliz, bem resolvida e que não aguenta as injustiças da vida e quero mostrar pra vocês que todas nós podemos ser assim, podemos nos aceitar, nos amar.
Não importa quanto eu peso, qual meu IMC, qual meu QI, qual minha altura, me olho no espelho e tenho orgulho de mim, não me abomino ou me deprimo porque tenho estrias e celulite, tenho orgulho da pessoa que me tornei por dentro e por fora e quero ajudar todas vocês a se orgulharem disso também. Os números não importam mais pra mim e não deveriam importar para ninguém.
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Ame-se, ignore os números, liberte-se, não seja escrava de uma balança ❤
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Ideal de beleza

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Meninas resolvi fazer postagens para empoderamento, autoestima, contando histórias vividas por mim e por outras pessoas, espero que gostem, que ajude, que nos ajude. Desabafar é sempre bom, e acredito que todas nós já passamos por algo do tipo.

Não é fácil falar de algo que você sofreu a vida inteira, mesmo sabendo que é algo que você já superou há algum tempo, ao lembrar de certas situações os sentimentos mais cruéis retornam à tona.

Mas vamos lá, seria maravilhoso viver numa sociedade que aceita antes de tudo que existem milhares tipos de pessoas, entre elas, de diferentes etnias, religiões, time de futebol, sexo, peso, tamanho, cor, crenças, opiniões etc.

Se as pessoas pudessem viver em sociedade respeitando essas diferenças, esse texto nem teria começado a ser escrito, mas infelizmente não é nesse mundo que a gente vive.

A sociedade idealizou um perfil “aceitável de beleza” fora da realidade, e desde que nascemos somos bombardeados a todo momento que o ideal é ser magra.

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Claro que não podemos generalizar, mas é o que sabemos que acontece diariamente, as pessoas magras são bem aceitas, estejam elas gozando de plena saúde ou não, ponto.

Eu adoraria que a realidade fosse diferente, mas infelizmente não é e está longe de se tornar essa.

Vamos aos fatos…

Em casa, a mãe de uma menina vive batendo na tecla que ela precisa emagrecer, que ela tem que ser bonita, que ela precisa de um marido e que sendo gorda como é ela nunca terá nada disso.

Na escola, todos seus colegas de classe são apaixonados pela menina mais bonita da sala, e você sendo gorda é apenas motivo de piadas e é alvo diariamente de brincadeiras de mal gosto, até mesmo pelas professoras.

Na adolescência você tenta se isolar dos amigos pois já não aguenta mais ser piada e a única menina que não é desejada por eles, mas sempre que possível vira motivo de piada.

Na sua rodinha de “amigas” você é a única gorda, suas amigas sabem de todos os problemas que você enfrenta na sociedade, pois com elas você não tem receio de desabafar, mas mesmo assim elas vivem fazendo questão de dizer que engordaram 3 kg e que estão obesas, sendo que você pesa no mínimo uns 40 kg a mais do que elas.

Você se apaixona por um rapaz e morre de vergonha de se declarar, percebe que ele é muito legal com você mas porque está a fim da sua melhor amiga magra, você se sente injustiçada, ferida, mas percebe que não tem a mínima chance com ele sem ao menos deixar que ele saiba de seus sentimentos, afinal homem gosta de mulher “gostosa”, mulher malhada, mulher que entra numa calça 38.

Em reuniões de família, suas tias fazem questão de dizer que você é a única gorda entre as primas e que desse jeito você nunca arrumará um namorado, logo você não se sente aceita nem pela sua própria família.

Seu pai e sua irmã ficam triste quando percebem que você estava chorando mas continuam te humilhando na frente de outras pessoas quando estão assistindo um filme ou vendo um seriado onde algum gordo é protagonista (normalmente sendo piada).

Assim você passa a vida toda trancada no seu quarto chorando por todas humilhações que todos já te fizeram passar, mas não tem nem com quem se abrir, porque todo mundo acha que você está fora dos padrões da sociedade.

Você se olha no espelho, não se acha feia, mas quando lembra das palavras proferidas aos quatro cantos do universo se sente um lixo, pensando que você não se encaixa no ideal de beleza. E assim você cresce uma pessoa frustrada que se esconde que procura um sentido para a vida, que sente diminuída em relação a outras pessoas, que tem medo de convívio, de contatos, de novas experiências, você tem traumas profundos na alma, você não entende porque te tratam assim só porque não veste tamanho 38, você chora e dorme, você dorme acorda e chora.

Continua.

*nem tudo nesse texto foi vivido por mim, mas são histórias que acontecem nas vidas de todas as gordas que conheço*

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