Fotografia | Eu, gorda.

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Eu amo falar sobre fotografia e empoderamento aqui para vocês, mas estava sumidinha com esse assunto né.

Conheci o projeto “Eu, gorda” há alguns meses e venho acompanhando sempre de perto e amando cada dia mais, então resolvi mostrar para vocês a delicadeza dessas fotografias pelas lentes da Milena Paulina, espero que gostem <3

Se vocês tiverem a oportunidade participem desse projeto, ou deixem-se serem fotografadas por alguém com sensibilidade, que mostre para vocês a beleza de vocês serem quem são.

Sobre a fotógrafa e o projeto “Eu, gorda”:

Me chamo Milena Paulina, e Paulina era o nome da minha tataravó.

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Eu tenho 22, moro na cidade de Itaquaquecetuba, na grande São Paulo e sou fotógrafa por pura necessidade da minha alma.

Eu sempre fui uma pessoa gorda: a criança mais gorda da família, a aluna mais gorda nas salas de aula, a amiga mais gorda entre as amigas.

Mas eu não passei minha vida me odiando, pois tinha uma grande influência da minha mãe. Ela estava sempre lá, plena, se achando bonitona, andando pelada pela casa e ensinando para os filhos que corpo não é tabu e principalmente que não devemos abaixar a cabeça pra ninguém.

Nunca foi uma vida perfeita, pois apenas quem é gorda, sabe que por mais firmes que lutemos para ser, sempre vai haver algo que nos puxe pra baixo.

Com o tempo, eu endureci demais.

Não deixava ninguém me fazer abaixar a cabeça, não importasse quem fosse. Comecei a afirmar para todos ao redor que antes de ser gorda, eu sou uma pessoa: viva, boa, que se esforça o tempo todo para dar sempre o seu melhor e que ninguém jamais poderia tirar ou usar isso contra mim, e as pessoas começaram a me ouvir. Mas principalmente eu, comecei a realmente me ouvir.

Essas afirmações, acabaram por abrir a minha mente para o que é a real beleza em uma pessoa. Como quando você conhece uma pessoa considerada “bonita”, mas que por dentro é um lixo e a única coisa que acaba contando sobre ela é isso! Então eu percebi que a beleza não é a carne, e que as pessoas vão lembrar muito mais sobre o tipo de pessoa que você é e foi, do que se você for uma pessoa se encaixava ou não dentro dos padrões.

Mas eu sempre senti dentro de mim essa coisa de: “Estou bem comigo mesma, porquê as outras pessoas não conseguem se sentir assim? O que eu posso fazer para ajudar elas a se sentirem do mesmo jeito que eu?“.

Gosto muito de filosofar sobre a vida, acredito plenamente em reciprocidade: em devolver tudo o que nós temos de bom. Queria devolver esse sentimento bom para o mundo, fazer as pessoas se enxergarem como eu as enxergo.

Sou deslumbrada com a vida e sempre estou achando tudo tão cheio de beleza, estou sempre olhando e vendo o que as pessoas não enxergam. Vejo as pessoas ao meu redor assim: brilhando para mim e eu me entrego totalmente ao passar isso para as fotos que faço.

Ano passado, senti que o sentido da fotografia na minha vida, seria focar em algo que sou, conheço e posso usar para passar uma mensagem pro mundo: a minha realidade de mulher gorda. Tentar ao máximo me conectar com outras mulheres que passaram pelas mesmas coisas que eu e além. Fazer com que essas mulheres se conectem a outras e juntas, passarmos uma mensagem pra quem precise ouvi-la.

Os ensaios para o “Eu, gorda” não possuem um preço fixo, ele funciona com o sistema “PAGUE O QUANTO ACHA QUE VALE“.

Você não paga por foto ou por pacotes.

Você paga quanto você pode e quer pagar.

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E aí o que acharam? Lindo e tocante né <3

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Visibilidade Gorda é tema da edição de 5 de agosto do Boteco da Diversidade no Sesc Pompeia

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Sétima edição do projeto socioeducativo do Sesc Pompeia propõe conversas políticas e performances artísticas sobre a vivência de pessoas gordas no Brasil

Boteco da Diversidade teve sua primeira edição em fevereiro de 2017 e traz, mês a mês, uma temática a ser debatida de forma artística e política, promovendo visibilidade de assuntos vinculados à diversidade cultural e à defesa dos direitos humanos. No dia 5 de agosto, primeiro sábado do mês, às 19h30, a Comedoria do Sesc Pompeia recebe um encontro repleto de performances sobre Visibilidade Gorda.

A sétima edição do projeto traz um diálogo artístico e político que busca reconhecer as diversas corporalidades existentes, além de expressar vivências e situações enfrentadas por pessoas gordas no Brasil. Por meio de uma linguagem poética, participantes trazem mensagens de resistência e combate à gordofobia e expõem como ela é manifestada na rotina de pessoas gordas, desde situações de convívio social e consumo até na promoção dos direitos básicos, como saúde e o transporte público.

“A gordofobia é a repulsa ao corpo gordo. É uma opressão estrutural que marginaliza esse corpo, tornando-o palco para a chacota, o desprezo e ódio através de sua invisibilização, e também patologizando-o, impedindo-o de ocupar os espaços públicos e privados por falta de acessibilidade”, explica Rachel Patrício, ex-estudante de Nutrição da Unifesp e ativista anti-gordofobia.

Boteco da Diversidade: Visibilidade Gorda começa com discotecagem da DJ Taty Yuki. A rapper Preta Rara é a mestre de cerimônias da noite. Com exclusividade, Preta exibirá um trecho do episódio, “Ocupação GGG”, de sua nova websérie, ‘Nossa Voz Ecoa’, um programa de entrevistas para o YouTube. Com abordagem à gordofobia, o episódio será comentado pela MC e pela comunicadora, DJ e empreendedora Flávia Durante, co-curadora do projeto desse mês.

Essa edição também conta com uma performance exclusiva do grupo de dança Me Gusta, que tem em sua formação Jéssica Chamma, Joyce Cavichio, Luana Nazareth e Natália Haidamus, mulheres gordas que, por meio da dança, buscam empoderar e estimular a autoestima de outras mulheres.

O artista visual Junior Azhura fará sua performance ‘Vista-se’, em que, ao tentar vestir diversas roupas, reflete sobre a forma como a indústria da moda trata o corpo gordo, além do seu predomínio em ter como público alvo pessoas donas de um corpo magro.

O coletivo Riot Queens, idealizado para e por mulheres drag queens, traz à Comedoria as artistas drags Cherry Pop e Ginger Moon. Ambas trazem uma performance com seleção musical que reflete a vivência e o empoderamento da mulher gorda. A apresentação das duas conversa com a de Draga da Quebrada, que aborda a temática também usando da imagem e expressão da arte drag, apresentando um monólogo que interligue o movimento LGTBQ+ e a questão da gordofobia.

Ao final do Boteco, Preta Rara fará um pocket show com músicas de seu álbum, ‘Audácia’, acompanhada da tradutora de Libras Karina Zonzini. Será a primeira vez que Preta fará uma apresentação com tradução na linguagem ao vivo.

O projeto já trouxe para a Comedoria debates artísticos sobre Visibilidade Trans, Feminismo, Masculinidades, Prostituição, Sexualidade e Deficiência e o Boteco de Férias que, no mês de julho, ofereceu aos interessados diversos minicursos, bate-papos e oficinas relacionados aos temas previamente apresentados nas edições anteriores.

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Saiba mais sobre participantes desta edição:

Flavia Durante
É comunicadora, DJ e empreendedora nascida em São Paulo e criada em Santos. Desde 2012, produz o Pop Plus, feira de moda e cultura plus size que recebe cerca de oito mil pessoas por edição. Ao longo destes cinco anos, tem desmistificado conceitos e conselhos que mulheres e homens vêm ouvindo há décadas em relação à moda.

DJ Tati Yuki
DJ nas noites do interior de São Paulo há cinco anos, sempre faz a diferença com seu set repleto de R&B, pop e funk. Lésbica, gorda e negra, luta para conseguir cada vez mais espaço em um meio onde dão muito valor à aparência padronizada.

Junior Ahzura
Artista visual, fotógrafo, educador, membro do coletivo Ponto e Vírgula, voguer e viciado em videogame. Tem interesse nas inserções imagéticas dentro das mídias sociais, nas relações entre corpo e espaço, identidade de gênero e sexualidade, bem como no registro da performance e seus desdobramentos.

Riot Queens (com Cherry Pop e Ginger Moon)
Coletivo pensado por e para mulheres drag queens para falar sobre essa jornada, assim como os obstáculos no meio drag e reafirmar sua arte. O Boteco de agosto conta com a participação de Cherry Pop e Ginger Moon.

Cherry Pop
Drag Queen, burlesca, glitterrorista, 
sideshow freakDrag queen há dois anos, envolvida com a militância gorda, feminista e LGBT, usa a arte misturada com a política em suas performances.

Ginger Moon
Drag queen paulistana, coreógrafa do coletivo Riot Queens, atriz. Usa a sua luta contra gordofobia e estereótipos de mulher em suas performances.

Draga da Quebrada
Carlos Luiz é interprete da personagem Draga da Quebrada. Formou-se em Letras pela Unesp e atualmente cursa Psicologia. Exagero puro, performa apenas músicas nacionais. Seu corpo é gordo, periférico e político, sua arte é resistência e persistência em mundo onde não se encaixam os que estão fora da “norma”.

Grupo Me Gusta
Grupo de dança é formado por dançarinas gordas que têm o objetivo de empoderar e estimular a autoestima de outras mulheres por meio de performances e atividades de dança. A formação atual conta com Jéssica Chamma, Joyce Cavichio, Luana Nazareth e Natália Haidamus.

Preta Rara
Joyce Fernandes, 32 anos, é conhecida como Preta Rara, é rapper, turbanista, professora de história e poetisa. Sua trajetória é marcada pela atuação e militância em movimentos negros e feministas. Suas músicas falam sobre empoderamento feminino, racismo, machismo, gordofobia e relacionamentos amorosos. Lançou seu primeiro disco, ‘Audácia’, em outubro de 2015. Tornou-se porta-voz das empregadas domésticas no Brasil depois de criar a página Eu Empregada Doméstica no Facebook.

Karina Zonzini
Gestora de projetos sociais, proficiente em Libras, especialista em educação inclusiva e políticas da educação. Trabalha para assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos das pessoas com deficiência. Mantém a ONG Surdo Mundo.

Rachel Patricio
É ativista pela luta anti-gordofobia e ex-estudante de Nutrição da Unifesp. Acredita que peso não define saúde e bem estar.

Karina Beraldo
Designer e ilustradora formada em Desenho de Moda. Trabalha como designer têxtil há mais de dez anos, também ilustrando seus próprios desenhos e pinturas. Mistura técnicas fluidas como aquarela e bico de pena com desenho, na criação de figuras, principalmente femininas, com formas sensuais além dos padrões corporais, as estéticas tribais e figuras étnicas e linhas.

Júlia Rocha
Militante feminista, admiradora e escritora de poesia marginal. Colaboradora de pesquisas no site Moda Sem Crise, encontrou na arte de rimar uma forma de contribuir para a construção da autoestima da mulher gorda.

Constroem o Boteco da Diversidade na edição de agosto:

Idealização: Sesc Pompeia;
Curadoria compartilhada: Flávia Durante e Sesc Pompeia;
Produção Executiva: Elaine Bortolanza ;
Assistente de Produção: Heloisa Feliciana;
Artistas e Ativistas Presentes: Tati Yuki, Preta Rara, Riot Queens, Draga da Quebrada, Junior Ahzura, Grupo Me Gusta e Karina Zonzini;
Iluminação e Ambientação Cenográfica: Cris Souto e Silvia Mokreys;
Técnico de som e roadie: Duda Gomes e Dennys Vilas Boas;
Identidade Visual: Laerte;
Texto: Rachel Patricio;
Ilustrações: Karina Beraldo;
Poema: Julia Rocha.

riotqueens boteco da diversidade Sesc Pompéia

Serviço:

Boteco da Diversidade: Visibilidade Gorda
Dia 5 de agosto, sábado – 19h30
Comedoria
Grátis. Retirada de ingresso com uma hora de antecedência.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia
Evento https://www.facebook.com/events/792814880904037

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