Saúde | Outubro Rosa

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lá amigas leitoras, hoje o assunto por aqui é sério, pois outubro é o mês de conscientização da mulher em relação ao câncer de mama, então resolvi fazer um post especial com uma amiga que já passou pela doença para mostrar como é a vivência e a volta por cima ao lidar com o câncer.

Essa entrevista foi feita com uma amiga que se chama Flavia Cruz, tem 29 anos e é servidora pública. Acompanhei alguns momentos de perto e não pude deixar de notar o quanto o sorriso no rosto da Flavinha nunca desapareceu, sempre a vi como uma grande guerreira que lutou em pé pela sua vida, e me emociono demais com a história dela e como ela venceu essa doença, por isso resolvi dividir com vocês e fiquei muito feliz que ela topou falar comigo.

Ela começou me dizendo isso: “falar sobre o assunto é sempre uma forma de agradecer ao universo o que ele fez por mim!”

Com quantos anos você descobriu que tinha câncer de mama?

Quando eu descobri tinha 24 anos , ou seja estava fora do grupo de “risco”.

Quais foram os sintomas ou sinais sentidos ou percebidos?

Na verdade eu nunca senti nada, o câncer de mama, costuma ser algo silencioso, por isso a maioria dos casos  são detectados quando a doença já esta em estado avançado. Eu comecei a me preocupar de verdade quando a auréola (bico da mama) retraiu e começaram a aparecer manchas vermelhas na pele.

Flavia Cruz outubro rosa estilocurvas

Você fazia o autoexame antes de descobrir a doença?

Nunca fiz autoexame, e me envergonho muito disso, só comecei de fato a me preocupar comigo quando descobri que já estava doente, mas nunca é tarde, hoje faço exames periódico e uma vez por semana faço autoexame já que ainda tenho a mama esquerda conservada.

Já havia algum caso na sua família?

Os médicos costumam dizer que eu sou o raro do raro, não é comum o caso em jovens, que amamentaram e que não tem casos na família, mas aconteceu.

O que passou pela sua cabeça, teve medo?

No primeiro momento pensei: “vou morrer” (bobagem, comecei a viver de verdade!), depois recebi um banho de apoio, amor e carinho dos meus pais, filho, família, de amigos, de pessoas que eu nem conhecia da equipe médica que cuidou e ainda cuida de mim e principalmente de DEUS. Parei, pensei e me permiti viver com qualidade, fui buscar ajuda , informação médica, ler livros , referencia de pessoas passaram ou ainda passam  por isso. Decidi passar por tudo com fé, bom animo e esperança, e tudo deu muito certo.

Como foi o tratamento?

Meu tratamento foi um pouquinho diferente do comum, como sou muito jovem a proliferação celular costuma ser mais rápida ou seja a doença   é um pouco mais agressiva, fiz 4 quimioterapias vermelhas (neoadjacentes), 12 quimios brancas,  31 seções de radioterapia e  9 cirurgias: 2 de fator  clinico, ou seja para  retirada da mama e linfonodos e 7 corretivas (plásticas reparadoras), mas isso varia muito de paciente para paciente.

Flavia Cruz outubro rosa estilocurvas

Como foi perder a mama toda?

No primeiro momento eu não me preocupei muito, eu só queria ficar boa e ter minha saúde de volta , a mama era uma consequência mas, depois quando você se vê sem a mama começa a se sentir menos feminina e isso mexe demais com a autoestima.

Como ficou sua autoestima?

Eu era, e ainda sou extremamente feminina, foi um momento diferente  , usei e abusei de lenços, perucas e afins , andei careca (no calor é ótimo) , aprendi a me maquiar e mais do que isso aprendi a me amar , me respeitar e acima de quem te ama, vai amar de qualquer jeito, com peito, sem peito, com cabelo, sem cabelo e com 5 cicatrizes.

Flavia Cruz outubro rosa estilocurvas

Quais os direitos que os pacientes possuem?

O paciente oncológico possui alguns  direitos como: auxilio doença, reabilitação profissional, aposentadoria por invalidez (em alguns casos), isenção de imposto de renda,  IPTU, cirurgia de reconstrução de mama pelo SUS ou plano de saúde , compra de carro com isenção de IPI e ICMS, bilhete único especial (dependendo do município), isenção de IPVA e rodizio municipal , medicamentos pagos pelas Secretaria Estadual de Saúde e alguns medicamentos previstos na lista da ANS.  O instituto ONCOGUIA possui um programa nacional de apoio ao paciente com câncer para maiores informações sobre os direitos é só ligar: 0800-7731666 ou verificar no site: www.oncoguia.org.br

Quais lições você acha que aprendeu com a doença?

Aprendi que a hora de viver é AGORA, mais conhecido com JÁ , que nessa vida bem louca  (trabalho, escola , faculdade  e  etc) é preciso ter um tempo pra cuidar, dos nossos e principalmente da gente , que as vezes a gente tem que ser   matemática somar informação , multiplicar conhecimento , subtrair medos e dividir experiências  que não é egoísmos pensar um pouco em si, que dinheiro compra coisas, mas nunca saúde  e amor, que a fé (independente da sua religião) é um grão  que se plantado com carinho vai dar frutos na sua vida e na dos outros, e que acreditar é o melhor caminho pra cura , e que a cura vem mesmo que demora um tempo.

Flavia Cruz outubro rosa estilocurvas

Deixe um recadinho para as minhas amigas leitoras.

Outubro é o mês de prevenção e conscientização do câncer de mama, mas  você não precisa esperar outubro chegar pra lembrar de se amar , se toque, a prevenção é sempre o melhor caminho.

Flavia Cruz outubro rosa estilocurvas

Foto atual da Flavinha

Para maiores informações acesse Oncoguia que é o portal do paciente com câncer.

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Gostaram? Deixem um recadinho aqui embaixo me contando tudo <3

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Visibilidade Gorda é tema da edição de 5 de agosto do Boteco da Diversidade no Sesc Pompeia

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Sétima edição do projeto socioeducativo do Sesc Pompeia propõe conversas políticas e performances artísticas sobre a vivência de pessoas gordas no Brasil

Boteco da Diversidade teve sua primeira edição em fevereiro de 2017 e traz, mês a mês, uma temática a ser debatida de forma artística e política, promovendo visibilidade de assuntos vinculados à diversidade cultural e à defesa dos direitos humanos. No dia 5 de agosto, primeiro sábado do mês, às 19h30, a Comedoria do Sesc Pompeia recebe um encontro repleto de performances sobre Visibilidade Gorda.

A sétima edição do projeto traz um diálogo artístico e político que busca reconhecer as diversas corporalidades existentes, além de expressar vivências e situações enfrentadas por pessoas gordas no Brasil. Por meio de uma linguagem poética, participantes trazem mensagens de resistência e combate à gordofobia e expõem como ela é manifestada na rotina de pessoas gordas, desde situações de convívio social e consumo até na promoção dos direitos básicos, como saúde e o transporte público.

“A gordofobia é a repulsa ao corpo gordo. É uma opressão estrutural que marginaliza esse corpo, tornando-o palco para a chacota, o desprezo e ódio através de sua invisibilização, e também patologizando-o, impedindo-o de ocupar os espaços públicos e privados por falta de acessibilidade”, explica Rachel Patrício, ex-estudante de Nutrição da Unifesp e ativista anti-gordofobia.

Boteco da Diversidade: Visibilidade Gorda começa com discotecagem da DJ Taty Yuki. A rapper Preta Rara é a mestre de cerimônias da noite. Com exclusividade, Preta exibirá um trecho do episódio, “Ocupação GGG”, de sua nova websérie, ‘Nossa Voz Ecoa’, um programa de entrevistas para o YouTube. Com abordagem à gordofobia, o episódio será comentado pela MC e pela comunicadora, DJ e empreendedora Flávia Durante, co-curadora do projeto desse mês.

Essa edição também conta com uma performance exclusiva do grupo de dança Me Gusta, que tem em sua formação Jéssica Chamma, Joyce Cavichio, Luana Nazareth e Natália Haidamus, mulheres gordas que, por meio da dança, buscam empoderar e estimular a autoestima de outras mulheres.

O artista visual Junior Azhura fará sua performance ‘Vista-se’, em que, ao tentar vestir diversas roupas, reflete sobre a forma como a indústria da moda trata o corpo gordo, além do seu predomínio em ter como público alvo pessoas donas de um corpo magro.

O coletivo Riot Queens, idealizado para e por mulheres drag queens, traz à Comedoria as artistas drags Cherry Pop e Ginger Moon. Ambas trazem uma performance com seleção musical que reflete a vivência e o empoderamento da mulher gorda. A apresentação das duas conversa com a de Draga da Quebrada, que aborda a temática também usando da imagem e expressão da arte drag, apresentando um monólogo que interligue o movimento LGTBQ+ e a questão da gordofobia.

Ao final do Boteco, Preta Rara fará um pocket show com músicas de seu álbum, ‘Audácia’, acompanhada da tradutora de Libras Karina Zonzini. Será a primeira vez que Preta fará uma apresentação com tradução na linguagem ao vivo.

O projeto já trouxe para a Comedoria debates artísticos sobre Visibilidade Trans, Feminismo, Masculinidades, Prostituição, Sexualidade e Deficiência e o Boteco de Férias que, no mês de julho, ofereceu aos interessados diversos minicursos, bate-papos e oficinas relacionados aos temas previamente apresentados nas edições anteriores.

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Saiba mais sobre participantes desta edição:

Flavia Durante
É comunicadora, DJ e empreendedora nascida em São Paulo e criada em Santos. Desde 2012, produz o Pop Plus, feira de moda e cultura plus size que recebe cerca de oito mil pessoas por edição. Ao longo destes cinco anos, tem desmistificado conceitos e conselhos que mulheres e homens vêm ouvindo há décadas em relação à moda.

DJ Tati Yuki
DJ nas noites do interior de São Paulo há cinco anos, sempre faz a diferença com seu set repleto de R&B, pop e funk. Lésbica, gorda e negra, luta para conseguir cada vez mais espaço em um meio onde dão muito valor à aparência padronizada.

Junior Ahzura
Artista visual, fotógrafo, educador, membro do coletivo Ponto e Vírgula, voguer e viciado em videogame. Tem interesse nas inserções imagéticas dentro das mídias sociais, nas relações entre corpo e espaço, identidade de gênero e sexualidade, bem como no registro da performance e seus desdobramentos.

Riot Queens (com Cherry Pop e Ginger Moon)
Coletivo pensado por e para mulheres drag queens para falar sobre essa jornada, assim como os obstáculos no meio drag e reafirmar sua arte. O Boteco de agosto conta com a participação de Cherry Pop e Ginger Moon.

Cherry Pop
Drag Queen, burlesca, glitterrorista, 
sideshow freakDrag queen há dois anos, envolvida com a militância gorda, feminista e LGBT, usa a arte misturada com a política em suas performances.

Ginger Moon
Drag queen paulistana, coreógrafa do coletivo Riot Queens, atriz. Usa a sua luta contra gordofobia e estereótipos de mulher em suas performances.

Draga da Quebrada
Carlos Luiz é interprete da personagem Draga da Quebrada. Formou-se em Letras pela Unesp e atualmente cursa Psicologia. Exagero puro, performa apenas músicas nacionais. Seu corpo é gordo, periférico e político, sua arte é resistência e persistência em mundo onde não se encaixam os que estão fora da “norma”.

Grupo Me Gusta
Grupo de dança é formado por dançarinas gordas que têm o objetivo de empoderar e estimular a autoestima de outras mulheres por meio de performances e atividades de dança. A formação atual conta com Jéssica Chamma, Joyce Cavichio, Luana Nazareth e Natália Haidamus.

Preta Rara
Joyce Fernandes, 32 anos, é conhecida como Preta Rara, é rapper, turbanista, professora de história e poetisa. Sua trajetória é marcada pela atuação e militância em movimentos negros e feministas. Suas músicas falam sobre empoderamento feminino, racismo, machismo, gordofobia e relacionamentos amorosos. Lançou seu primeiro disco, ‘Audácia’, em outubro de 2015. Tornou-se porta-voz das empregadas domésticas no Brasil depois de criar a página Eu Empregada Doméstica no Facebook.

Karina Zonzini
Gestora de projetos sociais, proficiente em Libras, especialista em educação inclusiva e políticas da educação. Trabalha para assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos das pessoas com deficiência. Mantém a ONG Surdo Mundo.

Rachel Patricio
É ativista pela luta anti-gordofobia e ex-estudante de Nutrição da Unifesp. Acredita que peso não define saúde e bem estar.

Karina Beraldo
Designer e ilustradora formada em Desenho de Moda. Trabalha como designer têxtil há mais de dez anos, também ilustrando seus próprios desenhos e pinturas. Mistura técnicas fluidas como aquarela e bico de pena com desenho, na criação de figuras, principalmente femininas, com formas sensuais além dos padrões corporais, as estéticas tribais e figuras étnicas e linhas.

Júlia Rocha
Militante feminista, admiradora e escritora de poesia marginal. Colaboradora de pesquisas no site Moda Sem Crise, encontrou na arte de rimar uma forma de contribuir para a construção da autoestima da mulher gorda.

Constroem o Boteco da Diversidade na edição de agosto:

Idealização: Sesc Pompeia;
Curadoria compartilhada: Flávia Durante e Sesc Pompeia;
Produção Executiva: Elaine Bortolanza ;
Assistente de Produção: Heloisa Feliciana;
Artistas e Ativistas Presentes: Tati Yuki, Preta Rara, Riot Queens, Draga da Quebrada, Junior Ahzura, Grupo Me Gusta e Karina Zonzini;
Iluminação e Ambientação Cenográfica: Cris Souto e Silvia Mokreys;
Técnico de som e roadie: Duda Gomes e Dennys Vilas Boas;
Identidade Visual: Laerte;
Texto: Rachel Patricio;
Ilustrações: Karina Beraldo;
Poema: Julia Rocha.

riotqueens boteco da diversidade Sesc Pompéia

Serviço:

Boteco da Diversidade: Visibilidade Gorda
Dia 5 de agosto, sábado – 19h30
Comedoria
Grátis. Retirada de ingresso com uma hora de antecedência.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia
Evento https://www.facebook.com/events/792814880904037

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